Olá, leitores e leitoras do blog. Aqui é a Psicóloga Aline Lisboa e hoje quero conversar com você sobre algo simples na teoria, mas que pode ser profundamente desafiador na prática: a importância de dizer não.
Será que você tem dificuldade em colocar limites? Já se sentiu desconfortável ao querer dizer não, mas por algum motivo a palavra não saiu? Talvez por medo de magoar alguém, ser mal interpretado ou até por acreditar que o afeto do outro depende do seu “sim”?
Se você se identificou, saiba que não está só. Essa é uma experiência muito mais comum do que imaginamos e muitas vezes, silenciosa.
Vivemos em uma cultura que valoriza o desempenho, a aprovação externa e o agradar o outro. Acabamos, muitas vezes, aprendendo que ser aceito é sinônimo de dizer sim. Mas a que custo?
Quando o “sim” passa a ser automático, mesmo quando internamente desejamos recusar, vamos nos afastando da nossa verdade mais íntima. É como se, aos poucos, traíssemos a nós mesmos em nome de uma harmonia externa e isso tem um preço emocional alto.
Dizer não é, antes de tudo, um exercício de escuta interior. É um gesto de autoacolhimento que começa com o reconhecimento de nossos limites, desejos e necessidades.
É muito comum no consultório ouvir:
“Mas e se eu começar a dizer não… será que as pessoas ainda vão gostar de mim?”
Essa pergunta revela o quanto, em algum nível, aprendemos a vincular o amor à obediência ou à submissão emocional. Porém, relações verdadeiras se sustentam na autenticidade, não no sacrifício.
Dizer não não significa rejeitar o outro, significa não rejeitar a si.
Claro, isso não precisa (e nem deve) ser feito com dureza. Pelo contrário: podemos praticar o “não” com gentileza, com presença e com consciência. Quando ele vem do nosso centro, do nosso corpo, da nossa alma, ele se torna verdadeiro e portanto, respeitoso.
Na psicologia analítica, compreendemos que o corpo é símbolo, é expressão do inconsciente. Através da expressão corporal e da arteterapia, muitas vezes conseguimos acessar sentimentos que ainda não ganharam palavras, mas que já pedem espaço para existir.
Muitas vezes, o corpo já disse “não” muito antes de nós. Um incômodo, um cansaço inexplicável, uma tensão nos ombros ou no estômago… são sinais sutis de que algo dentro de nós está pedindo por escuta.
Por isso, convido você a começar com pequenas práticas no seu dia a dia:
Perceba como o seu corpo reage antes de dizer “sim”.
Experimente nomear sentimentos: “não gosto”, “não me faz bem”, “isso não me representa”.
Permita-se recusar convites, demandas ou situações que te afastam de quem você é.
Lembre-se: dizer não também é uma forma de dizer sim para você.
Então, o que te impede de começar a praticar o “não” hoje? Se quiser, compartilhe aqui nos comentários como você se sente ao se deparar com essa palavra. Seu processo pode inspirar outras pessoas também!
Te convido a explorar outros textos aqui no blog.
Conheça mais sobre meu trabalho e vamos juntos cultivar um espaço de escuta, presença e verdade.
Eu te espero, você vem? ✨
Aline Lisboa Farias é psicóloga graduada pela Universidade Presbiteriana Mackenzie e pós-graduada em Arteterapia pelo IJEP (Instituto Junguiano de Ensino e Pesquisa).
Atualmente, está em formação como pós-graduanda em Psicossomática Junguiana pelo Instituto Freedom e é também estudante de Psicologia Corporal e Dançaterapia — campos que ampliam seu olhar integrativo sobre a saúde mental e o bem-estar.
Além disso, atua como palestrante, escritora e supervisora clínica, contribuindo com a orientação e o desenvolvimento de profissionais da área da psicologia.
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